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Amadurecer requer tempo

Eu fico muito feliz quando alguém me pergunta quando sai o meu próximo livro.

Como escritor, criar uma comunidade de leitores é um sonho, e no meu caso, acho que estou vivendo esse sonho a cada dia.

Fico lisonjeado e envaidecido com esses pedidos, e quero muito entregar para todo mundo o próximo livro. Porém, eu sempre tenho que recuar um passo e pensar em estratégias, e outras coisas que envolvem a criação de um livro. Muitas vezes esses passos não são tão glamourosos de se postar no Instagram, mas eu tento compartilhar o processo com meus leitores mais fiéis que me acompanham.

Mas eu entendo a ansiedade, ela está presente em mim. Nem sempre como algo ruim, às vezes se molda como uma energia que me impulsiona a continuar trabalhando.

Só que nesses últimos anos, trabalhando como escritor quase em tempo integral, me fez entender algumas coisas importantes.

Nem tudo o que eu escrevi está pronto para ser publicado.

Você também sente como se o mundo corresse muito todos os dias? Com novidades chegando por todos os lados e te abarrotando de notícias? As tendências mudando em semanas, ou em dias. O que hoje é viral, amanhã se torna efêmero. Histórias surgem, ganham força e desaparecem com a mesma velocidade que passamos o dedo na tela para o próximo vídeo.

E nesse ritmo acelerado, a gente acaba acreditando que criar também é uma questão de velocidade. Exigindo da gente mais rapidez.

Mas boas histórias exigem pesquisa, algumas exigem tempo de maturação. Entre terminar um manuscrito e entregar uma história que prenda o leitor, tem um grande abismo.

Eu aprendo por tentativa e erro, às vezes não aprendo e insisto no "erro".

Foi o que aconteceu com a Série de livros Redenção de Sangue, eu já matutava esse livro há muito tempo, como vários esboços diferentes, até chegar ao que eu acreditava ser excelente. E com isso vieram as continuações.

Mas para que os próximo livros vejam a luz do dia, o primeiro precisa ser lido, consumido pelos leitores, me dando segurança para continuar nessa jornada.

E segurança é algo que não existe no vocabulário de um escritor independente. Estamos vivendo na corda bamba todos os dias. E o planejamento da próxima história nem sempre combina com as "tendências atuais", ou até combinam, mas não agrada o bastante para justificar.

Esse velho ditado, de que tempo vale muito, nos faz refletir sobre os custos das nossas escolhas.

Mas algumas coisas simplesmente não florescem na pressa. Algumas decisões são tomadas no calor do momento, e elas precisam de distância para se refletir. O tempo vale muito, mas não temos todo esse tempo disponível, não é contraditório?

Algo se torna valioso justamente quando a oferta dela é limitada. E sabe o que é valioso e escasso hoje em dia? A nossa atenção. No caso, a atenção dos leitores, a cada clique, curtida, comentário, compartilhamento, é um pouquinho da vitória.

E a atenção de todos parece ter validade de 3 segundos.

Escrever não se trata apenas de colocar ideias no papel, mas de honrar tudo aquilo que veio antes. Uma série de livros requer tratar os sentimentos deixados abertos, corrigir os erros lançados (sim porque eles existem), e trabalhar as promessas que surgiram ao longo da narrativa.

Páginas podem ser escritas em poucos dias, e atualmente podemos ver até sendo geradas por máquinas. Mas a emoção leva tempo para construir e amadurecer.

Enquanto trabalho nos próximos livros, eu penso muito nisso. Em cada decisão, consequência e caminho que ainda preciso percorrer.

Se a jornada é rápida, lenta, demorada, atrasada, não sei explicar. Cada um faz o seu próprio caminho. Mas acredito que devemos ser sinceros e gentis com a gente mesmo.

Afinal de contas, crescer e amadurecer requer tempo e exige paciência.

A melhores histórias raramente se tornam incríveis da noite para o dia. Mas não é impossível trazer ao mundo emoções fortes em uma jornada curta de trabalho, porém exaustiva.

Não venho tratar isso como regra geral, até porque eu estou nessa engrenagem, movendo a roda da tendências voláteis. A minha mente oscila na frequência em que o mundo gira e parece tombar.

Estamos todos no mesmo barco capitalista selvagem. E esse aqui é apenas um momento de desabafo de um autor acelerado.


Beijos.

 
 
 

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Jules Petit

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